13 de mar. de 2017

Boletim de Discipulado nº 013 – A Família

Deveres dos pais

Recai sobre os pais a responsabilidade de criar os filhos no caminho do Senhor. Isso porque o exemplo fala mais do que mil palavras. A criança (ou o jovem) pode ouvir a Palavra de Deus de várias fontes (em um culto, em uma música ou em um aconselhamento). Porém, são as atitudes dos pais dentro de casa que vão refletir (ou não) a verdadeira essência de Deus. Não basta apenas falar ou ensinar por palavras, pois os filhos tendem a seguir o exemplo das atitudes dos pais.

Abaixo, algumas atitudes que os pais devem colocar em prática em relação a seus filhos:

- Ensinar a Palavra – “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração.
E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Dt 6.6-9)
Para que os pais sejam um exemplo de cristãos, primeiro a Palavra de Deus deve estar profundamente enraizada em seus corações. Com isso, falar das coisas de Deus se torna um hábito natural dentro de casa.
Mas isso não é tudo: o trecho “as atarás por sinal na tua mão e (…) entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas”, demonstra que a Palavra de Deus deve estar impregnada em nosso lar, em nossa vida e em nossos atos, todos os dias.

- Aconselhar“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv 22.6)
Este aconselhamento deve se dar em todas as áreas da vida da família, sempre com base na Bíblia e, se necessário, com auxílio da liderança da Igreja. Os pais precisam preparar os filhos para a vida, dando a eles suporte para suas decisões.

- Controlar“Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia” (1Tm 3.4)
Os pais devem impor limites ao filho, se não ele fará tudo conforme sua mentalidade infantil/ juvenil. Os pais cujos corações estão repletos da Palavra de Deus sabem o que é melhor para seus filhos.

- Abençoar“E (Jacó) abençoou a José (…)” (Gn 48.15)
Os pais devem sempre liberar palavras de bênção sobre seus filhos e orar por eles. Expressões pejorativas (“essa criança é uma peste, uma praga, um capetinha”) são proibidas.

- Disciplinar – 
“Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.” (Pv 23.13)
Uma palavra dura muitas vezes é necessária. É disto que a Bíblia está falando quando menciona a vara: devemos ter sabedoria de sermos duros com nossos filhos em palavras e no exemplo, mas sem agredi-los verbal ou fisicamente.

- Não irritar ou desanimar “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.” (Cl 3:21)
Os pais devem evitar atitudes que irritem seus filhos, criando um clima de amor, companheirismo e cumplicidade dentro de casa.

Deveres dos filhos

A Palavra de Deus resume os deveres dos filhos no seguinte versículo:

“Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.” (Ef 6.2-3)

É possível obedecer sem honrar: o filho pode fazer o que o pai lhe ordena mesmo o desprezando. Porém, é impossível honrar sem obedecer. A obediência é externa, mas a honra é interna.

Quando honramos ao Senhor em nosso coração, nossa atitude será de obediência. Em relação aos pais acontece o mesmo: se os filhos os honram no coração, a atitude será de obediência. Portanto, os filhos devem se esforçar para que um sentimento de amor e de admiração pelos pais brote no coração. Com isso, a obediência acontecerá naturalmente.

Eis a responsabilidade dos pais em serem exemplos na vida cristã: será extremamente difícil para os filhos honrarem alguém que não possa ser considerado um exemplo máximo a ser seguido.

Pais e filhos devem se esforçar para agradar primeiramente ao Senhor e obedecer a Sua Palavra, colocando o amor como sentimento principal a ser cultivado em casa (Cl 3.14).

6 de mar. de 2017

Boletim de Discipulado nº 012 – A Conduta Cristã

Conduta em relação a Deus

A vida do cristão gira em torno de Deus. Sendo assim, a conduta do cristão nas diversas áreas da vida será determinada por sua conduta em relação a Deus.

Nossa vida deve ser direcionada com o propósito de agradar a Deus. Devemos fazer o que Ele ordena e não fazer o que Ele não ordena. Porém, não podemos agir em relação a Deus da forma como nós achamos conveniente, ou seguindo a “moda”, ou obedecendo a tradições humanas. Devemos nos portar de acordo com a Palavra de Deus, que é o “manual de instruções” onde Ele nos revela o que é certo e o que é errado.

Nossa vida com Deus deve ser marcada pelos seguintes atributos, entre outros:

Espontaneidade – não fazemos nada por obrigação, e sim voluntariamente e convencidos pelo Espírito Santo (1 Pe 5.2; 2 Co 8.3;  Zc 4.6;  Mc 16.16);
Razão – não nos entregamos a Deus cegamente, nem obedecemos Sua palavra sem esclarecimento. Servimos com o coração, mas também com a mente; cultuamos ao Senhor racionalmente (Rm 12.1; 1 Co 14.15);
Sacrifício – abrir mão daquilo que não agrada ao Senhor, mesmo que seja importante para nós. Por isso, somos sacrifícios vivos (Rm 12.1; Lc 9.23; Mc 10.29-30);
Temor – devemos fazer tudo com a certeza de que Deus está vendo e retribuirá a cada um segundo suas obras (Pv 1.7; Jô 34.11; Sl 62.12);
Santidade – ausência de pecado. Precisamos buscar a Deus e ter conhecimento bíblico para saber o que é pecado e evitá-lo (Is 48.17; Sl 119.105);
Fé – precisamos crer que o Senhor pode todas as coisas, e devemos confiar n’Ele em todas as circunstâncias. Caso contrário, nos deixaremos abater, murmuraremos e entristeceremos a Deus (Hb 11.6; Lc 1.37).

Conduta em relação a nós mesmos

Precisamos nos ver como Deus nos vê: Ele conhece nossa estrutura e sabe que somos pó (Sl 103.14). Por isso Ele quer que sejamos totalmente dependentes d’Ele e também nos concede autoridade para vencermos todos os obstáculos.

Dependência de Deus – não devemos nunca achar que somos auto-suficientes ou que somos capazes de fazer algo sem Deus. É claro que muitas pessoas fazem tantas coisas sem Deus, mas o resultado disso é frustração e condenação (Mt 6.25-34; Sl 39.4.7);
Filho de Deus – não podemos deixar o inimigo e o mundo nos vencer, pois o Senhor nos concedeu o poder de sermos Seus filhos (Jo 1.12; Lc 9.1);
Mais que Vencedor – quando nossa conduta agrada a Deus, vencemos todas as batalhas, tribulações, tristezas e afrontas (Rm 8.37);
Embaixador de Cristo – somos representantes de uma pátria celestial aqui na Terra, da qual Jesus é o Rei. Por isso, nossas atitudes devem honrar o Senhor Jesus, nunca O envergonhar (2 Co 5.20; Mc 8.38).

Conduta em relação ao próximo e à sociedade

Deus sempre se preocupou com a vida em sociedade, pois sabe que a natureza humana é voltada ao egoísmo e ao conflito. Devemos cultivar em nossas vidas alguns atributos que nos farão boas pessoas, bons cidadãos. Isso fará com que os outros reconheçam que temos andado com Cristo:

Honestidade – fazer tudo como se Jesus estivesse ao nosso lado nos observando (de fato Ele está!). Não querer levar vantagem, não mentir, não enganar (Rm 12.17; 2 Co 8.21; Cl 3.9);
Paz – buscar ter paz com todos. Se não for possível ter paz com alguma pessoa, orar por ela (Rm 12.18; Mt 5.44);
Amor – amar o próximo como a si mesmo. Colocar uma “pitadinha” de amor em nossos pensamentos, ações e palavras (Mt 22.39; Cl 3.14; Cl 4.6; Jó 34.3);
Paciência – ter paciência no trato com os outros, principalmente os familiares e aqueles com quem convivemos diariamente (Sl 37.7-11; 1 Tm 6.11);
Caridade – ajudar os outros sempre que estiver ao nosso alcance (Pv 31.9, Pv 28.27; Gl 2.10);
Testemunho - o cristão deve ter uma vida exemplar, quer em costumes, vestimentas, negócios, palavras, pois está sendo observado pelos outros e, acima de tudo, por Deus. As pessoas do mundo podem não ler a Bíblia, mas certamente “lerão” a vida do cristão, que deve ser uma carta viva a testemunhar de seu Criador. Nós somos o sal da terra e a luz do mundo (2 Co 3.3; Mt 5.13-16).

27 de fev. de 2017

Boletim de Discipulado nº 011 – A Bíblia

Origem

A palavra Bíblia vem do grego biblion, que significa livro. A Bíblia foi escrita em três línguas: o Antigo Testamento (AT) em hebraico e alguns trechos em aramaico e o Novo Testamento (NT) em grego (só o livro de Mateus foi em hebraico).

As traduções que dispomos hoje são baseadas em cópias extremamente fiéis dos originais. O AT é baseado nos Rolos do Mar Morto, descobertos em uma caverna próxima a este mar em 1947. Antes desta descoberta, o AT era baseado em manuscritos posteriores a 895 d.C., mas os pergaminhos do Mar Morto datam de meados do século II a.C. (aproximadamente duzentos anos antes de Cristo). Estes manuscritos estão hoje no Santuário do Livro do Museu de Israel, em Jerusalém.

O NT foi melhor preservado em manuscritos do que qualquer outro livro antigo, possuindo mais de 5.400 manuscritos gregos completos ou fragmentos de manuscritos, 10.000 manuscritos em latim e 9.300 manuscritos em diversos outros idiomas antigos incluindo siríaco, eslavo, gótico, copta e armênio. Alguns desses manuscritos foram escritos menos de cem anos após os originais. Hoje, estes documentos se encontram em bibliotecas e museus em todo o mundo.


Autoridade da Bíblia

A Bíblia tem vários autores, mas um só Inspirador: o Espírito de Deus. Podemos definir a Bíblia como a Palavra de Deus revelada aos homens por intermédio do Espírito Santo. Alguns versículos que falam sobre a Palavra de Deus:

- é inspirada por Deus (2 Tm 3.16) e pelo Espírito Santo (At 1.16; Hb 3.7; 2Pe 1.21);
- o Senhor Jesus mostrou sua eficácia ao citá-la diversas vezes (Mt 4.4; Mc 12.10; Jo 7.42); 
- Ele também a usou para ensinar seus seguidores (Lc 24.27);

Isto é o suficiente para jamais a colocarmos em dúvida. Na sua leitura constatamos que é chamada inúmeras vezes de Palavra de Deus e de Cristo (Tg 1.21; 1Pe 2.2; Lc 11.28; Hb 4.12; Cl 3.16).

Isto mostra que a própria Bíblia prova sua autoridade. Além disso, as descobertas arqueológicas e a precisão dos manuscritos bíblicos antigos, bem como registros históricos e livros seculares nos dão provas suficientes para crer a Bíblia é verdadeira.




Divisão Bíblica

A Bíblia é composta por 66 livros: 39 no AT e 27 no NT. O AT é divido da seguinte forma:
Lei (ou Pentateuco): Gn, Ex, Lv, Nm e Dt;
Históricos: Js, Jz, Rt, 1Sm, 2Sm, 1Rs, 2Rs, 1Cr, 2Cr, Ed,  e Et.
Poéticos: Jó, Sl, Pv, Ec e Ct.
Profetas Maiores: Is, Jr, Lm, Ez e Dn.
Profetas Menores: Os, Jl, Am, Ob, Jn, Mq, Na, Hc, Sf, Ag, Zc e Ml.

O NT é divido assim:

Evangelhos: Mt, Mc, Lc e Jo;
Histórico: Atos dos Apóstolos;
Cartas Paulinas: Rm, 1Co, 2Co, Gl, Ef, Fp, Cl, 1Ts, 2Ts, 1Tm, 2Tm, Tt, Fm;
Cartas Gerais: Hb, Tg, 1Pe, 2Pe, 1Jo, 2Jo, 3Jo, Jd;
Profético: Ap.

Como estudar a Bíblia

- Sirva ativamente em sua igreja para aprender com outros cristãos (Cl 3.16);
- Esteja sob a autoridade das Escrituras para ser ensinado por elas, não as usando para apoiar suas opiniões pessoais (Hb 4.12-13);
- Leia a Bíblia para transformação de vida, não somente para ter informação mental (Jo 5.39-40);
- Leia a Bíblia com propósito de ter um relacionamento genuíno com Deus, não buscando a Deus na tentativa de apenas obter benefícios (Mt 7.21-23);
- Não simplesmente mergulhe nas palavras como literatura, mas deixe que as palavras entrem em você e transforme seu interior (Sl 119.9-11);
- Antes de ler a Bíblia, ore e peça orientação de Deus;
- Reserve um tempo todos os dias para ler a Bíblia.

20 de fev. de 2017

Boletim de Discipulado nº 010 – A Oração


O que é oração

É impossível conviver, conhecer e se relacionar com uma pessoa sem falar com ela. A comunicação é a base para os relacionamentos. Com Deus não é diferente. Se queremos ter comunhão com Ele e conhecê-Lo, precisamos firmar nosso relacionamento com Ele através da oração, que é o ato de falar com Deus.

Por saber o que é melhor para nós, o Senhor ordenou que orássemos (Is 55.6). Ou seja, a oração não é uma opção para o cristão; é indispensável para uma vida espiritual plena (Mt 7.7-8, Fp 4.6).





O que é feito na oração

Agradecimento (ou ação de graças) – oramos para agradecer a Deus por Suas obras em nossas vidas (Sl 147.7). Pela Salvação (Sl 118.21, Sl 35.9), pelo alimento (Jo 6.11) e por todas as coisas boas que o Senhor faz (Ef 5.20).

Súplica – também fazemos pedidos ao Senhor através da oração. Pedimos socorro quando estamos angustiados ou tristes (Sl 34.4). Pedimos sabedoria para aprendermos a viver corretamente aos olhos de Deus (Tg 1.5).

Adoração – na oração, buscamos a presença de Deus e vivemos experiências profundas no mundo espiritual. Esse assunto será tratado mais detalhadamente em um próximo boletim.

Intercessão – significa orar em favor de outras pessoas. É colocar-se diante de Deus tomando o lugar do outro e sentindo sua necessidade a ponto de lutar em oração até a vitória (1Tm 2.1, Tg 5.16).

Batalha espiritual – existem forças espirituais contrárias a Deus e ao cristão. Elas agem no coração e na mente, isto é, no mundo espiritual. Na oração, entramos em combate com essas forças. Estudaremos este assunto mais profundamente em um próximo boletim.

Como é feita a oração

Dirigida diretamente a Deus, sem mediadores – alguns segmentos religiosos oram (ou rezam) a entidades que são consideradas mediadores entre o homem e Deus. A bíblia ensina que Jesus é o único mediador (1 Tm 2.5), e ensina que devemos e podemos nos dirigir diretamente a Deus em oração (Mt 4.10).

Em espírito – é quando a oração é feita guiada pelo Espírito Santo e não é influenciada pela nossa natureza humana (desejos, vontades, egoísmo, ingenuidade, fraqueza, etc.). Quando isso acontece, a oração é cheia de vida e poder. Quando fazemos uma oração “automatizada”, vazia e cansada, não está sendo feita no Espírito (Ef 6.18, Jd 20).

Em santidade – ser santo significa ser “separado”. Essa separação acontece quando nos tornamos diferentes do mundo e semelhantes a Deus. Ou seja, a oração deve ser feita segundo a vontade e os padrões de Deus (1 Tm 2.8, Hb 10.22). Santidade é um tema que abordaremos mais profundamente em outro boletim.

De todo o coração, com dedicação – a oração é um momento sublime e deve ser feito com todo o zelo, com toda a seriedade. Muitas coisas de Deus deixam de acontecer em nossas vidas quando oramos superficialmente, sem uma entrega completa àquele momento de oração (Jr 29.12-13).

Com o coração cheio de fé—não podemos dar lugar à duvida, pois não há impossíveis para Deus (Mt 21.22, Lc 1.37)

Com sabedoria e entendimento (1Co 14.15)

Com sinceridade (Sl 17.1)

Causas de orações não respondidas

Motivação – quando nossa oração é feita fora da vontade de Deus, nossa motivação estará voltada à satisfação pessoal. Nesses casos, o Senhor não responde (Tg 4.3).

Vida impura e pecaminosa – uma pessoa distante dos padrões de Deus deixa impurezas entrar no seu coração. Dessa forma, Deus não atende à oração (Sl 66.18, Jo 9.31).

Jesus nos deu instruções sobre como orar e deixou um modelo de oração. Lembrando que é apenas um modelo; não deve ser usada de forma mecânica e repetitiva (Mt 6.5-13).